Simpáticos, cordiais e canalhas

Cuidado com os simpáticos e cordiais, sempre advirto minhas filhas, e mais ainda com os bajuladores e paparicadores: são condições básicas necessárias para o exercício da canalhice. Claro, se além de canalha o cara é antipático, grosso, mal-educado, fica bem mais difícil encontrar vítimas para suas canalhices. Poderá ser apenas um bandido óbvio. Canalhas não, eles podem ser vistos até como pessoas “respeitáveis”, podem ser muito queridos pela família, pelos amigos e aliados, que se beneficiam das suas canalhices, sem passar vergonha na rua, na escola e no trabalho. É o canalha gente boa.

Nada contra a simpatia ou a cordialidade, pelo contrário, com elas a vida e a convivência se tornam muito mais agradáveis, civilizadas e produtivas, e me esforço diariamente para usá-las como um estilo de vida. Não uma arma.

Assim como o psicanalista Helio Pellegrino dizia que a inteligência voltada para o mal é pior do que a burrice, a simpatia e a cordialidade, quando usadas para o exercício da canalhice, são piores do que a secura e a dureza no trato. É o estilo preferido dos políticos brasileiros, dos grandes ladrões públicos, dos oligarcas que enriquecem com a política, mas não abrem mão de uma aura de respeitabilidade e prestígio – que os permite continuar nas canalhices.

São pessoas aparentemente doces e carinhosas, paizões e vovôzinhos, que defendem o clã em qualquer circunstância. São generosos e tolerantes com familiares, amigos e agregados, mas sempre com o dinheiro público. São contadores de causos pitorescos, gostam de citar provérbios populares de suas regiões, aparentam simplicidade interiorana, mas são raposas urbanas vorazes e vaidosas. Espertos, bem informados e maledicentes, são fontes disputadas por jornalistas, que em troca os poupam de maiores críticas. Católicos fervorosos, mantêm laços estreitos com o candomblé, mas jamais o admitem.

Eles são muitos, estão no Senado, na Câmara, em altos cargos da administração pública, estão todos ricos, poderosos e impunes. Em Brasília, os que os conhecem pessoalmente confirmam que são simpáticos e cordiais. Embora canalhas.

Fonte: Nelson Motta

Um casamento diferente

Os noivos Kevin Heinz e Jill Peterson, de 28 anos, subiram ao altar ao som de “Forever”, do cantor Chris Brown. E não foram só os noivos: antes deles, os padrinhos também subiram ao altar dançando.
O registro da bem humorada dança caiu na web nesta semana e, rapidamente, se tornou um dos virais mais vistos da  rede. Em quatro dias, as cenas dos noivos e padrinhos dançando foram vistas por 1,7 milhão de pessoas. O vídeo da cantora-sensação Susan Boyle, que foi revelada no programa “Britain’s Got a Talent”, por exemplo, foi visto 2 milhões de vezes no mesmo período.
Em uma entrevista ao programa “Today”, do canal norte-americano MSNBC, a noiva, Jill Peterson, disse que a ideia de entrar dançando foi dela. Seu noivo, Kevin Heinz, também não mostrou resistência ao plano. Para que tudo saísse  perfeito durante a cerimônia, o casal e os padrinhos ensaiaram durante uma hora e meia
Na entrevista à MSNBC, o casal afirmou que não estava procurando fama ao postar o vídeo no YouTube. O vídeo só foi parar na web, de acordo com o noivo, porque seu sogro pediu para que ele postasse o vídeo online, para que os parentes que não puderam comparecer ao casório pudessem assistir à cena depois.

Fonte: IDGNow

Olavo Bilac

Via Láctea

Ora (direis) ouvir estrelas! Certo
Perdeste o senso! E eu vos direi, no entanto,
Que, para ouvi-las, muita vez desperto,
E abro as janelas, pálido de espanto…

E conversamos toda a noite enquanto
A via láctea, como um pálio aberto,
Cintila. E ao vir do Sol, saudoso e em pranto
Inda as procuro pelo céu deserto.

Direis agora: “Tresloucado amigo!
Que conversas com elas? Que sentido
Têm o que dizem, quando estão contigo?”

E eu vos direi: “Amai para entendê-las!
Pois só quem pode ter ouvido
Capaz de ouvir e entender estrelas.”