A sucessão presidencial e o futuro do Brasil

ROBERTO MANGABEIRA UNGER

Nenhum desses 5 conjuntos de iniciativas se acomoda dentro do que predomina hoje no pensamento dos principais pré-candidatos
O FUTURO , não o passado, é o tema de uma grande eleição, como será a de 2010. O assunto central há de ser como superar a contradição central do Brasil: uma vitalidade imensa ainda coexiste, para a maioria dos brasileiros, com a falta de instrumentos e de capacitações.
Hoje essa vitalidade está encarnada, sobretudo, em classe média surpreendente, que inaugura cultura de autoajuda e de iniciativa. Já está no comando do imaginário popular. A revolução brasileira de agora é consumar as inovações institucionais que permitam à maioria seguir o caminho dessa vanguarda de batalhadores e de emergentes.
O governo Lula promoveu grandes avanços. São eles a base indispensável para o que deve vir em seguida. Consolidou a estabilidade econômica, barrando o regresso à hiperinflação.
Livrou milhões da pobreza extrema.
Abriu, para outros milhões, as portas da universidade e da escola técnica.
Iniciou obras indispensáveis ao desenvolvimento do país.
Tudo isso somado, entretanto, não resolve a contradição entre o dinamismo do povo brasileiro e a negação à maioria dos instrumentos para criar e empreender. O próximo passo é a construção de modelo de desenvolvimento baseado na democratização de oportunidades econômicas e educativas. O povo brasileiro não quer caridade, quer oportunidade. Quer ver os interesses do trabalho e da produção ganharem primazia sobre os interesses do rentismo financeiro.
Cinco conjuntos de iniciativas traduzem essa aspiração libertadora em transformação prática. Nenhum deles se acomoda dentro do que hoje predomina no pensamento e no discurso dos principais pré-candidatos à Presidência: o desenvolvimentismo da década de 70.
O primeiro projeto é democratizar a economia de mercado. Não basta regular o mercado. Não basta contrabalançar suas desigualdades com programas sociais. É preciso reconstruí-lo em seu conteúdo institucional para torná-lo mais includente.
Parte dessa obra é a consolidação de uma política industrial que facilite para as pequenas e médias empresas -o setor mais importante de nossa economia- o acesso ao crédito, à tecnologia, ao conhecimento, aos mercados globais e às práticas de inovação permanente.
Parte é a superação do contraste entre agricultura empresarial e agricultura familiar. Esta tem de ganhar as características daquela.
E parte é a definição de regras que protejam, organizem e representem os trabalhadores precarizados que hoje formam a maioria do povo brasileiro: precarizados ou porque continuam na economia informal ou porque, na economia formal, atuam em trabalho temporário, terceirizado, doméstico ou autônomo.
O segundo projeto é dotar nossa afirmação nacional de escudo econômico. Cortar a falsa ortodoxia econômica ao meio. Reafirmar a parte sadia: realismo fiscal e responsabilidade fiscal. Mas repudiar a parte nociva: a aceitação de baixo nível de poupança nacional, privada e pública, e o apelo à poupança estrangeira como base de nosso desenvolvimento. Mobilizar a poupança de longo prazo para o investimento produtivo de longo prazo e não permitir que seu potencial se desperdice em cassino financeiro.
O terceiro projeto é capacitar o povo brasileiro por meio do ensino público. Uma prioridade é construir as regras e os meios para reconciliar a gestão local das escolas pelos Estados e municípios com padrões nacionais de investimento e de qualidade. A qualidade da educação que uma criança recebe não deve depender do acaso do lugar onde ela nasce.
Outra prioridade é substituir, na maneira de ensinar e de aprender, decoreba -o enciclopedismo informativo superficial- por ensino analítico e capacitador, com foco no básico, análise verbal e numérica.
O quarto projeto é construir Estado capaz de fazer tudo isso. A agenda do profissional administrativo. A agenda da eficiência na gestão pública. A agenda do experimentalismo na maneira de prestação e na qualificação dos serviços públicos, inclusive de educação e saúde, por meio do engajamento da sociedade civil na provisão competitiva e experimental deles.
O quinto projeto é tirar a política da sombra corruptora do dinheiro. Instituir o financiamento público das campanhas eleitorais para diminuir a influência do dinheiro privado. Substituir a maior parte dos cargos comissionados por carreiras de Estado. E rever o processo orçamentário para que não sirva à negociação obscura entre os interesses poderosos.
Nada disso é utópico. Tudo serve ao mesmo objetivo: dar braços, asas e olhos à energia humana que fervilha, frustrada e dispersa, no Brasil.

ROBERTO MANGABEIRA UNGER é professor titular da Universidade Harvard (EUA), ex-ministro extraordinário de Assuntos Estratégicos (2007-2009) e ex-colunista da Folha.

Advogado é advogado

O advogado estava chegando tarde à uma importante reunião no escritório e
não encontrava estacionamento. Ele para o carro na fila dupla, levanta as
mãos ao céu, fecha os olhos e diz:

– Senhor, por favor, me arruma um estacionamento e te prometo que irei à
Missa todos os domingos pelo resto da minha vida, deixo as putas, o álcool e
o jogo…. Além disso, não transarei mais com minhas colegas do escritório
nem com a minha secretária, que são casadas…

Nesse instante, milagrosamente, aparece um lugar para estacionar na porta do
edifício. O sujeito estaciona e diz:

– Não se preocupe mais, Senhor, já achei uma vaga!

Inclusão digital

 

Estudos sobre a realidade nacional, mostra que um terço da nossa população vive na pobreza absoluta e com baixo nível de escolaridade, sem acesso a educação, ao trabalho, à renda, a moradia, ao transporte e a informação. Neste quadro que se insere a exclusão digital.

Os excluídos estão as margens da sociedade em rede. é o chamado analfabetismo digital.

E estar incluído na sociedade digital é a condição básica para o desenvolvimento do cidadão. A política de digitalização da máquina do Governo, mostra que para se ter acesso aos serviços estatais devemos ter um acesso a rede e uma noção de informática pelo menos básica.

Notamos em nossos estudo que o Governo Federal tem um site de Inclusão Digital (www.inclusaodigital.gov.br). Nele mostra os vários programas de inclusão patrocinados por esse. Exemplos:

Mare – Telecentro de Pesca

Uca – Projeto Computador por aluno

Computador para todos

Centro de Inclusão Digital

Claro que o Governo faz isso apenas para estar dentro das Políticas Publicas Sociais que a lei obriga a fazer. E pela extensão territorial do Brasil esse investimento é muito pequeno.

Se continuar assim, corremos o risco de ter dois cidadãos: de um lado o que estão incluídos no mundo desenvolvido e participam dele, tem conta em banco, automóvel, cartão de credito e pertencem a sociedade supostamente desenvolvida; e de outro lado estará o conjunto daqueles que estão absolutamente marginalizados, que não tem a menor possibilidade de sobreviver em um mundo globalizado, que foram esquecidos pelo desenvolvimento.

De acordo com a Pesquisa Nacional de Amostra de Domicílios (PNAD 2003), desenvolvida pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística do Ministério do Planejamento, há uma queda acentuada quando saímos da classe A para a classe B. A classe C agrupa uma população maior que as classes A e B reunidas, e a classe B possui mais que o dobro de acesso a computadores que a classe C.

Por essa pesquisa, cerca de 68% da população brasileira estão nas classes D e E e praticamente não têm acesso à Internet. Na Europa e nos Estados Unidos, 75% das casas têm computador e 67% têm acesso à internet. Não é por acaso que as escolas conectadas no Brasil estão fortemente concentradas em São Paulo. E mesmo na cidade de São Paulo, a banda larga está concentrada nos Jardins, e não está na zona leste. Portanto, mesmo em uma região rica, há também uma concentração na distribuição desses recursos em função da renda.

è preciso acrodar. Não há futuro para o mundo dos incluídos, se não tratarmos do outro lado da rua, onde esta o mundo dos excluídos. A exclusão digital significa a exclusão do conhecimento, que é pior das exclusões por que de fato retira das pessoas a possibilidade de mudar sua vida e de repensar o que passa a sua volta. Até a possibilidade de participar democraticamente. As pessoas ja tem dificuldade de participar da democracia, com menos informação isso fica mais difícil ainda.

Conclusão

A forma mais completa de combater o "Apartheid" digital é investir diretamente nas escolas publicas, assim os alunos desde cedo possam ter acesso direto as novas tecnologias digitais.

Referências:

Referencia das Estatísticas Fundação Getulio Vargas www.fgv.br/cps

Site Ciência da Informação http://revista.ibict.br

Site Portal da Inclusão Digital http://www.inclusaodigital.gov.br

Site Correio da Cidadania http://www.correiocidadania.com.br

Site Luiz Salvador http://avancosocial.blogspot.com/

A criação da Xoxota

Mario Quintana

Sete bons homens de fino saber
Criaram a xoxota, como pode se ver:

Chegando na frente, veio um açougueiro
Com faca afiada deu talho certeiro.

Um bom marceneiro, com dedicação
Fez furo no centro com malho e formão.

Em terceiro o alfaiate, capaz e moderno
Forrou com veludo o lado interno.

Um bom caçador, chegando na hora
Forrou com raposa, a parte de fora.

Em quinto chegou, sagaz pescador
Esfregando um peixe, deu-lhe o odor.

Em sexto, o bom padre da igreja daqui.
Benzeu-a dizendo: “É só pra xixi!”

Por fim o marujo, zarolho e perneta
Chupou-a, fodeu-a e chamou-a…

Buceta!

40 anos de internet


Será que a tecnologia está redefinindo quem somos?

Faz 40 anos que os computadores de Leonard Kleinrock, da Universidade da Califórnia em Los Angeles, e de Douglas Engelbart, do Instituto de Pesquisas na Universidade de Stanford, foram conectados por uma "linha especial" da Arpanet, um sistema de apenas quatro computadores que faziam parte de um projeto do Departamento de Defesa dos EUA.

Com o passar dos anos, o sistema exclusivo de tráfego de informação evoluiu, saiu dos laboratórios de cientistas para o público e hoje é conhecido como internet.

Não há dúvida de que a internet está transformando o mundo, de que vivemos em meio a uma revolução. A questão, ou uma delas, é que tipo de revolução é essa: será que a internet pode ser comparada, por exemplo, ao telefone ou ao carro, ou mesmo à imprensa de tipo móvel, que revolucionou o livro? Ou será que ela pertence a outra classe de tecnologia, que não só transforma a sociedade mas que vai além, redefinindo quem somos?

A questão é complicada, difícil até de ser formulada. O telefone e o carro transformaram o modo como as pessoas se comunicavam, iam ao trabalho, viajavam, viam o mundo. Como toda tecnologia que se torna de uso público, primeiro começaram pequenos, com alcance limitado: eram poucas as linhas telefônicas e as estradas.

Aos poucos, as coisas foram crescendo e, em meados do século 20, telefones e estradas estavam pelo mundo todo. Uma diferença bem importante é que a internet, por ser acessível por computadores, é bem mais aberta aos jovens. Telefones celulares também; os jovens têm a sua privacidade, o seu espaço virtual separado do dos pais e irmãos. A comunicação é tão fácil e rápida que chega a tornar o contato direto, em carne e osso, desnecessário.

Talvez seja uma preocupação dos meus leitores mais velhos, que, como eu, nutriam as amizades no campo real e não por meio de sites como Facebook e Twitter, mas será que a internet nos fará desaprender como nos relacionar diretamente com outros seres humanos?

Deixando esse tipo de preocupação de lado, se olharmos para a história da civilização, veremos que podemos contá-la como uma história da tecnologia. À medida que novas tecnologias foram sendo desenvolvidas, do controle do fogo e da rotação de terra na agricultura até a roda, o arado e os transistores e semicondutores usados em aparelhos eletrônicos, nossa história foi, em grande parte, determinada pelas nossas máquinas. Valores e interesses mudam, e visões de mundo se transformam de acordo com nossos instrumentos.

O Homo habilis, nosso ancestral que usou ferramentas pela primeira vez, evoluiu rumo aoHomo sapiens e, agora, este se transforma no Homo conectus. Será que nossos avanços tecnológicos são, hoje, a principal mola da nossa evolução como espécie? Nesse caso, será que a tecnologia está redefinindo o que significa ser humano?

Descontando uma grande devastação biológica, como uma epidemia de proporções globais ou um cataclismo climático ou ecológico, somos donos da nossa evolução: nossa transformação como espécie ocorre muito menos devido a mutações aleatórias e ao processo de seleção natural do que, por exemplo, devido a um maior intercâmbio racial, à melhor alimentação e aos avanços da medicina, à integração de tecnologias diversas com o corpo (marca-passos, órgãos e membros artificiais) e com a mente (drogas que mudam nossas emoções, implantes nos olhos e ouvidos, chips no cérebro).

A internet talvez represente uma nova fronteira, a da integração coletiva da humanidade a um nível sem precedentes. Se não no mundo real, ao menos no virtual

de alam kenji minowa

Festa dos Quarks



Partículas que formam os prótons e nêutrons podem ser indivisíveis

Neste mês, o legendário físico teórico americano Murray Gell-Mann completa 80 anos. Entre seus grandes feitos, o mais importante foi ter proposto uma ideia que revolucionou a nossa compreensão da composição da matéria.

Em 1963, Gell-Mann propôs que, ao contrário do que se pensava na época, os prótons e nêutrons, as partículas que compõem o núcleo de todos os átomos, não eram indivisíveis, e sim formadas por partículas ainda menores. Mostrando a sua fenomenal cultura geral (da qual se orgulha muito), Gell-Mann usou uma palavra de um texto do escritor irlandês James Joyce para batizar as partículas: “quarks”. O nome fictício é bem apropriado: nem mesmo Gell-Mann poderia ter imaginado o quão estranhos são os quarks.

Já na Grécia Antiga, em torno de 400 a.C., os filósofos Leucipo e Demócrito haviam sugerido que tudo o que existe no Universo é composto de partículas minúsculas e indivisíveis, que chamaram de átomos (em grego “o que não pode ser cortado”.) Durante 2.400 anos, filósofos e (mais recentemente) físicos vêm procurando pelos tijolos fundamentais da matéria. Essa é a missão do reducionismo: tentar dividir entidades complexas em entidades simples e irredutíveis.

É claro que a pergunta mais imediata aqui é se existe mesmo algum limite: se cortarmos a matéria em pedaços cada vez menores, será que chegaremos mesmo até as entidades mais básicas? Essa é a crença que vem inspirando físicos por todo esse tempo. Até o final do século 19, achava-se que os átomos dos elementos químicos (do hidrogênio ao urânio e além, os integrantes da Tabela Periódica) eram indivisíveis. Essa crença foi derrubada em 1897 quando o inglês J. J. Thomson mostrou que todos os átomos continham uma partícula ainda menor, o elétron. Alguns anos depois, Ernest Rutherford mostrou que a maior parte da massa de um átomo está concentrada num volume mínimo no seu centro, o núcleo atômico.

O integrante do núcleo com carga elétrica positiva, contrabalançando a carga negativa do elétron, ficou conhecido como próton. Em 1932, James Chadwick mostrou que outra partícula integrava o núcleo, de carga elétrica nula: o nêutron. Esse era o trio de partículas que, compondo todos os átomos da Tabela Periódica, deveria bastar para explicar a estrutura da matéria, um triunfo do reducionismo. Só que a festa durou pouco.

Durante os anos 1940 e 1950, uma multidão de partículas foi encontrada, todas aparentemente elementares, isto é, indivisíveis. Essa avalanche de partículas, centenas delas, ia contra o espírito do reducionismo, e acabou gerando uma crise na comunidade.

Será que o atomismo está errado?

Quando Gell-Mann, e também George Zweig, propuseram que essas partículas eram, de forma análoga aos átomos, composta de outras menores, o alívio era palpável. Só que… esses quarks eram muito diferentes: tinham carga elétrica fracionária e não igual à do elétron e, para piorar, não podiam aparecer por si sós. Viviam trancadas, ou confinadas, dentro dos prótons, nêutrons e suas centenas de primos.

Gell-Mann, sabendo que enfrentaria resistência, sugeriu que, se seu esquema estivesse correto, novas partículas existiriam, formadas de dois tipos de quarks, o “up” e o “down”.

Quando as partículas foram encontradas, as pessoas começaram a levar os quarks a sério. Prótons e nêutrons têm três quarks cada. Desde então, foram encontrados seis tipos de quarks.

A teoria não prevê nenhum outro.

Mas será esse o fim do reducionismo?

Ou os quarks são feitos de partículas ainda menores? Esse é o tipo de pergunta que, especulações à parte, só os experimentos poderão responder.

A longa caminhada do papel eletrônico


Colunista destaca principais avanços na busca do dispositivo flexível que pode revolucionar a leitura.

Um objeto semelhante a uma folha flexível, capaz de “carregar” diferentes configurações de textos e imagens? É isso o que promete o papel eletrônico, inovação que pode se tornar uma realidade muito antes do que você imagina.

Imagine-se sentado em um banco de praça, quando alguém ao seu lado retira de um fino canudo uma folha retrátil e transparente de tamanho A4. De repente, letras e imagens aparecem naquela folha, como se fosse uma página impressa. O contraste e a visibilidade das letras em diferentes ângulos lembram uma folha de papel.
Isso ainda é uma cena de ficção. Você não encontra esse produto na loja da esquina, mas Epson, Fujitsu, HP, Hitachi, IBM, Kodak, Motorola, Philips, Pioneer, Samsung, Siemens, Sony e Xerox, para citar apenas empresas conhecidas do grande público, trabalham para que isso não demore a acontecer. O papel eletrônico – a folha transparente da cena imaginária – já existe em diversos produtos. Falta apenas ele aparecer nodesign imaginado acima e com um preço compatível com a renda de boa parte da população.
Nos laboratórios de pesquisa, os trabalhos que viabilizaram o papel eletrônico já têm uma longa história. Podemos dizer que a saga remonta aos anos 1950, quando propriedades elétricas foram descobertas em alguns polímeros e as primeiras imagens xerográficas foram obtidas com o processo conhecido como eletroforese. Na década seguinte, com a descoberta dos polímeros semicondutores, estava aberta a estrada para se chegar ao papel eletrônico.
Mas a evolução da ciência e da tecnologia não é assim tão certinha. Tropeços metodológicos e estratégias comerciais entortaram o rumo dessa história. Passados mais de 40 anos, ainda estamos à espera do papel eletrônico com as propriedades que teoricamente consideramos adequadas.
E quais são essas propriedades? Para se assemelhar ao papel impresso em funcionalidade e disponibilidade, o papel eletrônico deve ter bom contraste, de modo a ser lido até na claridade da luz solar. Isso implica que as imagens deverão ser visualizadas por reflexão da luz e não por transmissão, como ocorre nas usuais telas de computadores e de televisores. É claro que isso não impede que um fabricante possa fazer um papel eletrônico que emita luz, mas essa não é a alternativa que está fazendo a cabeça da indústria.
Assim como o papel convencional, de celulose, o eletrônico também deve ser flexível, de modo que possa ser encurvado e guardado em um canudo. Tem que apresentar baixo consumo de energia e, sobretudo, ter preço de venda compatível com o orçamento de grande parte da população. Ainda não se conseguiu um produto que atenda a todas essas exigências. Vejamos alguns dos caminhos seguidos pelos pesquisadores para chegar a elas.
Tinta e suporte

Folha enrolada de Gyricon, papel eletrônico desenvolvido pelo Centro de Pesquisa da Xerox. O dispositivo foi batizado a partir da expressão grega que significa “rotação de imagem”.

O papel eletrônico tem basicamente dois componentes: a tinta e o suporte flexível. A este associa-se o sistema eletrônico, capaz de imprimir e apagar texto e imagens. Cada um desses componentes é parte de uma grande área de pesquisa, agraciada com alguns prêmios Nobel pelo caminho. O principal modo de preparação da tinta eletrônica, por exemplo, utiliza a eletroforese, fenômeno cuja descoberta em 1937 valeu o Nobel de Química de 1948 ao sueco Arne Tiselius (1902-1971).
Antes de abordarmos os métodos atuais, vale a pena recordar a primeira ideia de uma tinta eletrônica. Ela foi inventada por Nicholas Sheridon em 1974, quando era pesquisador do Centro de Pesquisa da Xerox, em Palo Alto, naquela região da Califórnia conhecida como Vale do Silício. O processo foi batizado de Gyricon, palavra grega que significa “rotação de imagem”.
Essencialmente o processo funciona assim: esferas de plástico microscópicas são fabricadas com um hemisfério pintado de branco e outro de preto. Cada um deles tem uma carga elétrica diferente – digamos que o hemisfério branco seja negativo, enquanto o preto é positivo. Milhares dessas esferas são dispersas em um líquido entre duas camadas de material flexível. Uma delas é necessariamente transparente.
Se uma voltagem positiva for aplicada na camada transparente, as esferas giram e exibem o hemisfério negativo (branco). Letras e imagens são então produzidas com uma distribuição adequada de voltagens na camada transparente. O processo foi abandonado pela Xerox em dezembro de 2005, quando seus competidores avançavam na técnica de eletroforese.
No processo de eletroforese, por sua vez, existem duas alternativas. Na primeira, algumas esferas são brancas, enquanto outras são pretas. Esferas de uma cor são carregadas positivamente, e as outras, negativamente. Na segunda alternativa, apenas um tipo de esfera é disperso em um líquido colorido e que apresente um bom contraste com a cor das esferas – esferas brancas em um líquido azul, por exemplo. Em ambos os casos, a formação da imagem é similar ao processo do Gyricon: a distribuição de voltagens é que define a imagem.
No caso de esferas brancas carregadas negativamente, uma voltagem positiva na superfície visível apresenta uma imagem branca, pois as esferas são atraídas pela voltagem. No caso de uma voltagem negativa, elas são repelidas, e a imagem fica azul. Esse mecanismo é aplicado em cada ponto da imagem. Ou seja, cada pixel tem um conjunto de esferas e uma conexão ao sistema eletrônico. Vejamos um dos processos utilizados para formar cada pixel.
A tinta eletrônica do MIT

A tinta eletrônica desenvolvida no MIT se baseia no princípio da eletroforese. O dispositivo conta com milhares de micropartículas esféricas de cor preta e branca, cada tipo carregada com um sinal diferente. Em função da carga elétrica aplicada, muda a disposição das microesferas na superfície do suporte flexível. O rearranjo dessas partículas permite formar diferentes textos e imagens.

Esse método foi inventado por Joseph Jacobson e colaboradores, no Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT, na sigla em inglês), entre 1997 e 1998. Milhares de micropartículas com diâmetro em torno de 5 micrômetros, metade brancas e metade pretas, são encapsuladas numa esfera de material transparente, com diâmetro entre 30 e 300 micrômetros.
As micropartículas brancas podem ser obtidas com dióxido de titânio, e as pretas, com pigmentos inorgânicos. Cada espécie de micropartícula é carregada com um sinal diferente. Existem procedimentos químicos para evitar que haja atração entre as cargas de sinais contrários. Outra alternativa é usar um único tipo de partícula em um fluido dielétrico cuja cor contraste com a das micropartículas.
Milhares de cápsulas formando um líquido como uma tinta comum são fixadas em uma folha de polímero semicondutor. Uma vez fixada, a tinta é manipulada pelo sistema eletrônico para a formação de imagens.
Antes de descrever o sistema eletrônico, convém adiantar que este é o principal responsável pela esperada popularização do papel eletrônico. A base polimérica permite a flexibilidade do papel, e o baixo custo de produção dos circuitos integrados redundará em produtos baratos.

O sistema eletrônico
Para a fabricação de circuitos integrados baseados no silício são necessários ambientes de alto vácuo, sofisticados e caros. No caso de polímeros semicondutores, filmes finos podem ser formados a partir de soluções líquidas, por intermédio de um processo de auto-organização em pressão atmosférica – uma espécie de impressão de jato de tinta.
Embora simples, o processo não deixa de ter suas exigências em termos de precisão. Um circuito integrado é formado por milhares de transistores. Em cada um deles, existem partes ocupadas pelo elemento ativo – no caso, o polímero – e partes ocupadas por contatos elétricos passivos. Em transistores de polímeros, a distância entre alguns contatos é inferior a 5 micrômetros.

Não é fácil controlar gotas d’água que se esparramam sobre uma superfície. De forma análoga, o controle da forma como se esparramam as gotas da solução polimérica usada no papel eletrônico foi um dos desafios no seu desenvolvimento.

A deposição da solução polimérica no substrato do circuito deve ter resolução suficiente para não cobrir esses contatos. Ocorre que os processos mais simples de deposição não conseguem resolução inferior a 20 micrômetros. Isso é consequência da dificuldade de se controlar o fluxo e a tendência das gotas de polímero se esparramarem pela superfície do substrato.
Uma solução interessante para restringir o espalhamento das gotas de polímero foi inventada por Henning Sirringhaus e colaboradores no Laboratório Cavendish, da Universidade de Cambridge (Reino Unido), há menos de cinco anos. Eles simplesmente colocaram um produto hidrofóbico nas regiões proibidas. Como as gotas de polímero contêm água, elas não conseguem penetrar naquelas regiões hidrofóbicas.
Em escala de laboratório o avanço é extraordinário. A empresa americana E Ink Corporation tem contribuído significativamente para isso. Já em 2003 eles apresentaram, em associação com a Philips, um pequeno painel (12,7 centímetros na diagonal), utilizando a tinta eletrônica do MIT. Dois anos depois eles apresentaram o primeiro protótipo no tamanho de uma folha A4.
Esse protótipo usa 100 vezes menos energia do que um monitor de cristal líquido convencional. A razão – válida para todos os dispositivos desse tipo – é que, uma vez formada a imagem, ela permanece na tela mesmo na ausência do campo elétrico que a formou. Por outro lado, como sua visualização se dá por reflexão da luz incidente no painel, não há necessidade de bateria para manter a exibição da imagem. Esta será utilizada apenas para acionar o sistema eletrônico nos momentos em que se desejar formar ou apagar imagens.

Uma perspectiva mais ampla
Quando se fala em papel eletrônico, geralmente vem à mente a imagem do início desta coluna. Nesse sentido, ele seria uma evolução dos atuais livros eletrônicos. No entanto, a indústria tem uma perspectiva mais ampla quando se refere a esse produto. Não devemos esquecer que papel eletrônico é qualquer coisa que seja flexível, possa exibir imagens por reflexão de luz, apresente baixo consumo de energia e, se possível, tenha grande capacidade de armazenamento.
Assim, o leque de assemelhados se abre extraordinariamente. Teremos, por exemplo, papel eletrônico em etiquetas de produtos nas prateleiras de lojas e supermercados. Os dados ali contidos poderão ser alterados por um sistema de comunicação sem fio. Teremos papel eletrônico em grandes painéis, a um custo bem inferior aos atuais.
No que se refere ao sonho de consumo de muitos leitores, voltemos à cena inicial: um canudo com 1 centímetro de diâmetro e 15 a 20 centímetros de comprimento. Lá dentro, uma folha retrátil, com milhares de livros gravados e conexão sem fio para buscar conteúdo em repositórios na internet e um sistema que permita uso de mensagens eletrônicas. Tudo isso por não mais do que 250 reais, e em futuro mais próximo do que muitos imaginam!

Fonte: Instituto Ciência Hoje – http://cienciahoje.uol.com.br

Danton – Robespierre -L’homme de la rue contre l’homme du pouvoir

Esta conversa entre Robespierre e Danton é trecho da obra cinematográfica “Danton e a Revolução” estrelada pelo ator e astro francês Gerard Depardieu (trecho abaixo do texto).

DANTON – Você isola a revolução, você a congelou! A cada dia recuamos mais.

ROBESPIERRE – O que quer que eu faça?

DANTON – Volte para a Terra, faça o que é correto.

ROBESPIERRE – Interrompo o ímpeto revolucionário e você mata a revolução.

DANTON – O povo quer comer e dormir em paz. Sem pão, não há leis, liberdade, justiça. Mande a merda os Comitês! Eu admiro você. Eu seguiria você mas não a qualquer custo.

ROBESPIERRE – Eu quero providenciar condições dignas de vida para 80% das pessoas. Isso é tudo.

DANTON (debochando e rindo) – Não faça discursos aqui!

ROBESPIERRE (indignado) – O quê?

DANTON – Não é tudo o que quer. Os homens não permanecem no poder por tanto tempo (provocando).

ROBESPIERRE (desafiando) – Você aspira ao poder?

DANTON – Eu não preciso, eu já o tenho. O único e real poder é aquele que vem do homem na rua. Eu o compreendo, ele me compreende. Nunca esqueça isso!

ROBESPIERRE – Eu não esqueço, mas não esqueça você que para torná-los felizes eu terei que parar com tudo.

DANTON (se levanta e parte para cima de Robespierre, esbravejando) – Você quer fazê-los felizes? Você não sabe nada sobre o povo! Quem pensa que é? Olhe pra você! Você não bebe, você está coberto de pó de arroz, espadas fazem você desmaiar, e dizem até que nunca tivera uma mulher!! Você fala para quem? Fazer os homens felizes!? Você nem é um homem. Eu vou te mostrar as pessoas, vamos andar um pouco pelas ruas.



A Olimpíada pode ser uma festa

Os últimos fatos no Rio de Janeiro deixam a sensação de impotência diante da capacidade de intervenção do crime organizado. Vem dos anos 1980 a ocupação das favelas do Rio pelas organizações criminosas, de início o jogo do bicho, depois o tráfico de drogas, sempre com a participação de membros das corporações policiais.

No Rio de Janeiro houve a entrega do território das favelas à soberania da criminalidade, dividindo-se a cidade em duas: a dos morros, sob a égide dos bandidos, e a da planície ao mar. Nos morros, o Comando Vermelho (CV), dos traficantes, disputa agora o poder com o Comando Azul (CA), das milícias, que cobram taxas da população.

Em minha breve passagem pelo Ministério da Justiça organizei reunião com os ministros da área social para estudo de medidas preventivas de modo conjunto, pois o problema era mais social do que policial: a conclusão foi iniciar a transformação de escolas em centros de convivência, com quadras de esporte e campeonatos, envolvendo pais e mestres, valendo-se de meios do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT). Seria uma complexa operação de envolvimento da população para reocupar os espaços perdidos, entregues ao Estado paralelo. Não seria fácil, mas deveria ser feito. Saí por conta da não-intervenção no Espírito Santo, uma semana depois, e o projeto foi esquecido.

Hoje a polícia do Rio tenta, sem essa visão social, entrar nos morros por via de policiamento denominado Polícia de Pacificação, mas a marca policial perdura e torna ineficiente a proposta.

Em 2007 e 2008, o Rio de Janeiro apresentou elevado número de homicídios, por volta de 35 para cada 100 mil habitantes, enquanto o Estado sede da criminalidade organizada, o Espírito Santo, ostentou o assustador número de 56 homicídios por cada 100 mil habitantes.

São Paulo, à época em que presidi comissão de Diagnóstico do Sistema Criminal (1999), tinha o número de homicídios hoje registrado pelo Rio, com muitas chacinas, que só naquele ano haviam matado 350 pessoas. Tinham surgido na periferia os justiceiros, policiais de aluguel para matança de desafetos. De 2001 até esta data o número de homicídios veio decrescendo significativamente: 11,4 em 2007, 10, 8 em 2008 e 9 no segundo trimestre deste ano.

A que se deve essa queda é a pergunta que se fazem os criminólogos, não havendo uma única resposta, mas uma soma de hipóteses. Sem dúvida, em São Paulo, resultados na descoberta de autoria e prisão dos responsáveis pelas chacinas e pelos atos de “justiçamento”, com índices de mais de 80% de sucesso nas investigações policiais. Outra medida relevante são os significativos investimentos em dois importantes campos: informatização da informação e serviço de inteligência, que permitem planejamento policial e persecução penal mais eficiente. Assim, a polícia age, e não apenas reage. Dessa forma diminuíram os assaltos a bancos, as extorsões mediante sequestro e o furto de veículos, pela repressão a desmanches de automóveis.

Houve, contudo, uma redução da letalidade, mas não da violência, expressa em ameaças e ofensas, ou seja, o clima social é de agressividade, porém, contida. Medidas de cunho preventivo têm ocorrido, mas gostaria de ver em São Paulo um maior número de Centros Integrados de Cidadania, com fácil acesso à Justiça na periferia, e Plantões Sociais nas delegacias de polícia para atendimento condigno de pequenos problemas da população pobre.

Por outro lado, a entrada dos municípios, nesta defesa da vida, tem sido relevante. Nas cidades da periferia de São Paulo, a Lei Seca, com a proibição da venda de bebidas alcoólicas nos bares a partir de determinada hora da noite e nos fins de semana, pois se constatou que grande parte dos homicídios ocorria dentro ou nas proximidades dos bares.

Mas nem tudo é positivo em São Paulo, pois cresceram, por conta da crise econômica, com a perda de 170 mil empregos no Estado, os roubos à mão armada, mormente em semáforos. E os latrocínios aumentaram, com a entrada de novéis agentes do roubo, que a qualquer reação da vítima atiram.

Já em Minas Gerais, o Sistema de Defesa Social, com integração dos órgãos policiais e medidas de prevenção social à criminalidade, alcança grande sucesso. Em 2008 houve significativa queda no número de homicídios: de 14,3 por 100.000 habitantes em 2007, passou a 11,1 em 2008, com decréscimo de 20%. Mesmo o latrocínio teve uma queda de mais de 20%, de 82 em 2007 a 65 por 100.000 habitantes em 2008.

Dentre as medidas, cabe destacar as operações conjuntas das polícias e o fortalecimento dos Conselhos Comunitários de Segurança Pública. Deu-se a unificação de dados das polícias e do sistema prisional, com a produção de estatísticas sobre a criminalidade que são quinzenalmente objeto de avaliação com analistas. Instalou-se o Sistema Integrado de Defesa Social, com participação das polícias, do Ministério Público, do Judiciário, da Defensoria Pública, da sociedade civil e de autoridades municipais, com atuação articulada em força-tarefa.

Ressalto dois programas. O Fica Vivo!, com identificação dos pontos que ameaçam a paz, para com ações de inteligência, juntamente com a comunidade, promover especial policiamento comunitário. Paralelamente, cria-se uma proteção social com medidas para jovens em situação de risco: oficinas de esporte, cultura, envolvendo lideranças locais, membros de igrejas, comerciantes. Há sete núcleos do programa em Belo Horizonte e nove na região metropolitana. O outro programa é o da Mediação de Conflitos, para solução de desavenças nos bolsões de pobreza mediante mediação comunitária, extrajudicial.

Assim, há essas formas de combate à violência, além do efetivo controle da entrada de armas no Rio, para se obviar que a Olimpíada de 2016 seja realmente uma festa. Basta querer


Miguel Reale Junior

Acarmô?!…

Numa estradinha, o mineiro dono de um alambique, entra na traseira de uma BMW novinha em folha.
O dono da BMW sai que é uma fera em cima do mineiro, que diz:
Carma moço tudo se resorve….’
Resolve nada seu *&¨%$#!)(*+#$% !!!!’
Carma…toma uma aqui da minha fazenda…é da boa que o sinhô vai si acarmá…
O cara toma uma.
Acarmô?’
Acalmei nada!!!
Então toma mais uma…
E assim foi, depois de uma meia dúzia o mineiro:
Acarmô?
Sim, agora sim!
Intão agora nóis vamu sentá aqui i chamá a polícia pra fazê o tar di bafômetro i vê quem tá errado!