O Leviatã pega

 

Acho que já falei aqui numa comadre minha que diz que tudo é trauma de infância. Inclino-me a concordar com ela e, muitas vezes, nem tenho de escarafunchar muito essa remotíssima fase de minha vida para descobrir a origem de certas inquietações do presente. O Leviatã é um exemplo claro, porque meu medo dele vem desde o tempo em que, no meio da livrama de meu pai, eu topava com as ilustrações de Gustave Doré para a Bíblia e lá estava o tremendo monstro, contra o qual, assegurava o texto, o bronze das espadas era palha, ou seja, não adiantava nada. E devo ter misturado isso com alguma outra ilustração, provavelmente do clássico de Thomas Hobbes intitulado Leviatã, com que também topei nessa época, tentei ler para ver se vencia o medo, não entendi nada, desisti e o trauma deve ter persistido, ou piorado.

Hobbes é comumente tido, numa simplificação bastante grosseira e mesmo injusta, como uma espécie de teórico do absolutismo. E foi assim que me falaram dele nas escolas. Para mim, o Estado hobbesiano, no qual o poder se concentra no que ele chama de “soberano” e o súdito não tem ingerência no governo, passou a ser definitivamente aquele monstro das ilustrações. Depois, com a leitura de 1984 e a chegada de um tempo em que, fotografados, filmados e gravados, estamos cada vez mais submetidos a alguma espécie de controle, ou pelo menos vigilância controladora, o bicho vem me assombrando bastante e devia assombrar vocês também, porque vamos facilitando, vamos facilitando e daí a pouco ele nos engole a todos.

E essa engolição não vai ter nem a colher de chá do Estado hobbesiano. Nele, de fato, o soberano detinha todo o poder, mas também tinha o dever básico de dar segurança ao súdito, pois, afinal só ela conteria o lobo do homem e era para isso que o pacto social existia. Aqui no Brasil, o nosso Leviatã já engole mais de um terço do que ganham os pobres e remediados (e nada dos verdadeiramente ricos) e não dá segurança nenhuma. Se esta for entendida como algo além de garantias contra a violência e abranger, por exemplo, a saúde, sabemos que o monstro, além de comer todo o dinheiro que pode, obriga os súditos a contratar planos médicos privados e nem mesmo estes resolvem, pois o bicho permite que façam o que bem entendam, inclusive tungar safadamente os que há décadas pagam por eles os olhos da cara.

O Leviatã de Gustave Doré, se bem revejo na mente as gravuras da infância, tinha tentáculos semelhantes aos de um polvo. É uma boa imagem para o que nos acontece hoje em dia, a toda hora um novo tentáculo se estendendo sobre nós, uma chuva de normas, cartilhas, orientações, admoestações, avisos, cobranças, proibições, restrições, instruções e assemelhados, vinda aparentemente de mil direções, que ninguém conhece direito e a que todo mundo obedece sem questionar. Sabe-se, mais ou menos vagamente, da existência de agências reguladoras hoje muito ativas, tripuladas por sabe-se lá quem, todas empenhadas em emitir regras para a nossa conduta. Ninguém elegeu esse pessoal, ninguém foi nem ouvido nem cheirado quanto à sua nomeação (vai ver que alguns, ou todos, foram ouvidos preliminarmente no Congresso, mas isso e nada todo mundo sabe que quer dizer a mesma coisa, até porque muitos dos nomeados para as agências devem ter sido indicados por deputados ou senadores), mas eles fazem o que querem e, mesmo quando quebram a cara, quem paga o prejuízo somos nós.

Cabe recordar, pela milésima vez, como uma espécie de dever cívico, aquela regulada que deram nos motoristas, obrigando todos a trafegar com um tal kit de primeiros socorros. Todos os donos de carro compraram o kit, que só tinha um fabricante, o qual, naturalmente, encheu o rabo de dinheiro, assim como, certamente, outros envolvidos na operação. Concluiu-se que o kit não valia nada e era até prejudicial, mas ninguém foi investigado e muito menos punido, os súditos morreram na grana que os espertalhões faturaram e ficou tudo por isso mesmo. Mais recentemente, veio o tal assento para crianças, que, de novo, beneficia fabricantes, ou fabricante, e é uma medida de meia pataca, porque não pode ser aplicada a táxis, ônibus e vans, além de causar problemas de vários tipos. Mas todo mundo se esquece disso, compra o raio da cadeirinha e segue obedecendo.

Torcer no futebol já está regulamentado, mas não é descabido prever que cada clube venha a ser obrigado a pagar danos morais ao juiz chamado de ladrão por seus torcedores. Curtir com a cara do perdedor, nem pensar. O técnico que ficar na beira do campo soltando palavrões também será multado e mal posso esperar o dia em que emanarão do banco instruções como “meu anjo, vê se te deslocas mais expeditamente!”. E o atacante vai pedir um cruzamento exclamando “alça-me o balão de couro, companheiro!”. Quanto a piadas, não só de futebol mas quaisquer outras, atualmente já proibidas em relação aos candidatos, certamente também serão objeto de restrições impostas pela necessidade de que vivamos numa sociedade absolutamente livre de discriminações ou preconceitos de toda espécie. Não pode piada que, de alguma forma, mostre qualquer categoria social ou humana sob uma luz considerada pejorativa. Ou seja, não pode piada nenhuma, mesmo porque as que se refiram a animais, como as de papagaio, estarão sujeitas ao crivo rigoroso do Ibama, pois nunca se sabe quando uma piada poderá induzir a um crime contra um animal protegido. Talvez se crie – e fica a sugestão, é mais uma porção de cargos para preencher – uma base nacional de piadas, cadastrando todas as permitidas, é só checar antes de contar. Agora que dá para comparar, o monstro de Gustave Doré não era tão feio assim, bons tempos.

João Ubaldo Ribeiro
Fonte:
O Estado de S. Paulo
Data: 15/8/2010

O TEMPO PASSOU … E ME FORMEI EM SOLIDÃO

José Antônio Oliveira de Resende
Professor de Prática de Ensino de Língua Portuguesa, do Departamento de Letras, Artes e Cultura, da Universidade Federal de São João del-Rei.

Sou do tempo em que ainda se faziam visitas. Lembro-me de minha mãe mandando a gente caprichar no banho porque a família toda iria visitar algum conhecido. Íamos todos juntos, família grande, todo mundo a pé. Geralmente, à noite.

Ninguém avisava nada, o costume era chegar de pára-quedas mesmo. E os donos da casa recebiam alegres a visita. Aos poucos, os moradores iam se apresentando, um por um.

Olha o compadre aqui, garoto! Cumprimenta a comadre.

E o garoto apertava a mão do meu pai, da minha mãe, a minha mão e a mão dos meus irmãos. Aí chegava outro menino. Repetia-se toda a diplomacia.

– Mas vamos nos assentar, gente. Que surpresa agradável!

A conversa rolava solta na sala. Meu pai conversando com o compadre e minha mãe de papo com a comadre. Eu e meus irmãos ficávamos assentados todos num mesmo sofá, entreolhando-nos e olhando a casa do tal compadre. Retratos na parede, duas imagens de santos numa cantoneira, flores na mesinha de centro… Casa singela e acolhedora. A nossa também era assim.

Também eram assim as visitas, singelas e acolhedoras. Tão acolhedoras que era também costume servir um bom café aos visitantes. Como um anjo benfazejo, surgia alguém lá da cozinha – geralmente uma das filhas

– e dizia:

– Gente, vem aqui pra dentro que o café está na mesa.

Tratava-se de uma metonímia gastronômica. O café era apenas uma parte: pães, bolo, broas, queijo fresco, manteiga, biscoitos, leite… Tudo sobre a mesa.

Juntava todo mundo e as piadas pipocavam. As gargalhadas também.

Pra quê televisão? Pra quê rua? Pra quê droga? A vida estava ali, no riso, no café, na conversa, no abraço, na esperança… Era a vida respingando eternidade nos momentos que acabam…. Era a vida transbordando simplicidade, alegria e amizade…

Quando saíamos, os donos da casa ficavam à porta até que virássemos a esquina. Ainda nos acenávamos. E voltávamos para casa, caminhada muitas vezes longa, sem carro, mas com o coração aquecido pela ternura e pela acolhida. Era assim também lá em casa. Recebíamos as visitas com o coração em festa… A mesma alegria se repetia. Quando iam embora, também ficávamos, a família toda, à porta. Olhávamos, olhávamos… Até que sumissem no horizonte da noite.

O tempo passou e me formei em solidão. Tive bons professores: televisão, vídeo, DVD, e-mail… Cada um na sua e ninguém na de ninguém. Não se recebe mais em casa. Agora a gente combina encontros com os amigos fora de casa:

– Vamos marcar uma saída!… – ninguém quer entrar mais.

Assim, as casas vão se transformando em túmulos sem epitáfios, que escondem mortos anônimos e possibilidades enterradas. Cemitério urbano, onde perambulam zumbis e fantasmas mais assustados que assustadores.

Casas trancadas.. Pra quê abrir? O ladrão pode entrar e roubar a lembrança do café, dos pães, do bolo, das broas, do queijo fresco, da manteiga, dos biscoitos, do leite…

Que saudade do compadre e da comadre !

Curitiba da nossa infância

Uma viagem no tempo.

A gurizada de hoje não sabe o que é. 
Fechou a Curitiba onde nasci.
Só não fechou este meu tempo de guri"…………viu guria!
Saudade da Curitiba dos meus tempos de guri.
Das partidas do "bete-ombro".
Do jogo de tique.
De pular corda e amarelinha riscada de giz na calçada.
Do jogo de búrico (bolinhas de gude, de vidro…). (não dou Volta, não vale fidusca…)
Dos treinos no campinho com as bolas de "capotão" da Casa Walter.
Saudade do jogo do bafo com as Balas Zequinha. Tinha Zequinha Médico, Zequinha Radialista, Zequinha Motorista, Zequinha Papai Noel (Esta era uma figurinha difícil, quase não saía. Só os mais afortunados conseguiam). Tinha até Zequinha Ladrão (e como tinha…). As figurinhas embrulhavam aquelas balas ruins, que ninguém chupava, mas que divertiram muito a piazada. No jogo do bafo era proibido cuspir na mão… O ciclo se repetia a cada ano.
Dos balões de São João que iluminavam as noites frias da Curitiba dos meus tempos de guri. Era Balão Caixa, Balão Mimosa, Balão Cruz. De todos os tamanhos e de todas as formas. Tinha uns grandes, tão grandes que até os bombeiros vinham ajudar na hora de acender a tocha. Os soldados vinham, erguiam a escada, seguravam a copa, o baloeiro acendia a tocha, o fogo ardia e o balão subia, espargindo parafina incandescente sobre a Curitiba dos meus tempos de guri. (nunca ouvi falar que um balão provocou um incêndio!).
Das raias (pipas, pandorgas…) que esvoaçam pelos campos da Galícia. Eram felizes os piás de Curitiba. Espremidos nas calças curtas os piás e as meninas nas suas saias de sarja azul marinho, toda pregueada, como mandava o uniforme escolar,levavam prá escola um punhado de bolachas Duchen e meia garrafa de Capilé. Às vezes, Crush ou Mirinda. Quando não, um suco de uva Grapete. Ou gasosa de framboesa DA Cini. Prá variar, Minuano. Tinha uns que levavam Bidu-Cola ou Guaraná Caçulinha, com bolacha Maria.
Aos domingos, faceiros, no terninho de marinheiro da Maison Blanche, iam à matinada do Cine Ópera para ver Tom e Jerry. As meninas, gabolas, enfeitadas em suas saias godê, da  Joclena, e blusinhas da Mazer, uma loja infantil ao lado da Gomel, na “Rua dos Turcos”.
A Maison Blanche era de meninos. A Joclena e a Mazer, de meninas. Para os sapatos tinha a Cirandinha.
Piá nenhum admitia vestir o tal de “brim coringa não encolhe”, aquele tecido azulão grosso, especialmente para macacão de mecânico, que hoje chamam de Jeans.
As meninas vestiam tafetá ou veludo,também em festas, os vestidos godê ponche feitos de organdi suíço.
Os meninos, terninhos de casemira. Quando muito, camisa Volta ao Mundo e calça de Tergal.
Piás felizes chutando bola, descalços, sobre as rosetas dos campinhos por todos os lados. (Tínhamos que tirar os sapatos para não gastar, senão a bronca vinha certa).
Esse tempo de guri acabou, assim como acabou a Modelar, a Casa Rosa, a Casa Vermelha, a Casa Sade.
Não tem mais a Casa DA Sogra do Aron Ceranko, presidente do Ferroviário (que também não existe mais). Não tem mais a Casa DA Pechincha.
Desapareceu o Louvre do Kalluf, assim como nos deixaram os fraternos irmãos Munir e o Padre Emir. Cadê seu Jamil e seu Miguel e a Capital das Modas?
Não tem mais a Casa das Meias do telefone 66-6666, nem o 444 DA Barão. E a Casa Edith, acredite, ainda tem, mas OS chapéus Prada não vende mais. E a Três Coelhos, em que cartola se meteu? Não tem mais Móveis Cimo.
Já não se ouve mais o apito DA Fábrica Lucinda.
Mudou a Casa Feres, “pequena por fora e Grande por dentro”.
As Casas Lorusso, “suba que o preço desce”, também desapareceram.
Fechou a Casa Dico,”Fique Rico comprando na Dico”, a Joalheria Pérola, do Kaminski, a Importadora Americana, do Marcos Salomão Axelrud, que vendia o Simca Chambord e o Simca Rally.
Desapareceram o Frischmann´s Magazine, assim como o Chocolate Basgal, DA Tiradentes.
Não tem mais a Tarobá, do Pedro Stier, em cujas vitrines o pioneiro Nagib Chede exibiu o primeiro programa de TV, no Estado do Paraná, projetado diretamente do último andar do Edifício Tijucas.
E o povo encantado via o Jamur em preto e branco, contando as notícias do dia.
Não tem mais o Cine Curitiba onde os piás trocavam Gibis do Capitão Marvel, pelos X-9 do Monte Hale.
Cadê o Cine América, o Palácio, o Broadway, o Avenida, o Ribalta, o Oásis, o Rívoli, o Vitória, o Marabá, o Luz, o Arlequim, o Ritz.
Até os filmes do Morguenau e do Guarani chegaram ao fim.
Acabaram as matinês do domingo a tarde (depois de enxugar toda a louça do almoço de domingo para a mãe).
Se você "aprontava" durante a semana lá se ia a matinê de domingo.
Era ficar na janela vendo os amigos irem, com um monte de gibis embaixo do braço.
Lembram que quando o "mocinho" beijava a mocinha todo mundo fazia barulho com os pés no assoalho de madeira do cinema?
Não tem mais o bar Pólo Norte, no fim do trilho do bonde da Colônia Argelina.
E o Lá no Lhum, da Barão?
E a Charutaria Liberty, na esquina da XV com Monsenhor Celso, para onde se mudou?
O Hermes Macedo, “Do Rio Grande ao Grande Rio”, que rumo tomou?
E o Prosdócimo, onde mamãe comprou a minha primeira Ralleig? (Era uma bicicleta preta, com frisos dourados e raios niquelados, importada, Inglesa). Quanto luxo. Sentia-me um Fittipaldi na boleia da sua Lotus).
E o Sérgio Prosdócimo, hoje, nem sabe disso. Ele também era um piá, nos meus tempos de guri
Não vejo mais as Óticas Curitiba, dos Irmãos Barbosa.
Onde foi parar a Casa Nickel, que vendia Chevrolet?
Desapareceram a Casa Londres e a Ottoni. O Lord Magazine, onde os almofadinhas compravam seus esporte-fino exibidos nos chás-dançantes de Medicina e Engenharia.
A Slopper também acabou. Mesmo fim levaram Calçados Clark, Lojas Ika e Pugsley.
Acabou-se o Café Alvorada do Senadinho. (onde um amigo meu ao mexer com a garçonete recebeu um bule cheio de café na cara).
Fechou o Ouro Verde, onde nasceu a Boca Maldita. Nem Café Marumby, nem Café Piraquara tem mais.
Apagou-se o neon da Caixa Econômica, na Praça Osório, com as moedinhas correndo e caindo no cofrinho.
E a farmácia Minerva, antiga, que vendia Zig e Mercúrio-Cromo e também Pasta Kolynos, Creme Dental Eucalol e Sabonete Lifebuoy. (Será que ainda existe o Talco Ross)? E o Rum Creosotado? E Auricedina? E a Pomada Minâncora? E o Vinho Reconstituinte Silva Araújo? E o Regulador Xavier: “número um excesso; número dois, escassez”. (!). E Antissardina. E o Creme Rugol. E as Pílulas de Vida do Doutor Ross, “fazem bem ao fígado de todos nós”.
Nem a Stellfeld, do relógio de sol sobrou, com suas prateleiras repletas de Cibalena, Varamon e Cafiaspirina, Glostora e Gumex.
Só o relógio de sol resistiu, como se a testemunhar os meus tempos de guri.
No Edifício Azulay ficava a Musical, onde comprei uma radiola marfim, para ouvir de Nat King Cole cantando “Catito”, nos long play da Chantecler. Ali também ficava a loja de calçados Pisar Firme. A Clark também ficava lá, assim como a Farmácia Colombo.
Fechou o Banco de Curitiba, quebrou o Banestado. E o Bamerindus? Ave, Avelino.
É verdade, o tempo passa, o tempo voa…
Cadê o Colégio Parthenon, o Iguassu (pagou, passou!) da Praça Rui Barbosa?. E a Escola de Comércio De Plácido e Silva, cuja diretora Juril Carnascialli encantava os seus alunos pela sua fineza de trato e cultura herdada do iluminado Josef de Plácido e Silva. Muito obrigado Juril.
E o Colégio Cajuru. Por onde andarão as suas alunas, tão bonitas e invejadas? Será que ainda usam o "Cabeção" em seus dias de Gala?
E as meninas do Sion com suas saias cor de vinho?
E as normalistas do Instituto de Educação por onde andarão?
Acabaram-se as empadinhas da Cometa, os queijos da Casa da Manteiga do amigo Guido, hoje Meritíssimo Desembargador. No Mercado Municipal tinha o Manquinho, da Mercearia Sulina. Só vendia o que era de primeira !! Ele mesmo dizia, aqui presunto, se quer mortadela vai em outro!!/*
A coalhada da Schaffer, o Toddy da Leiteria Viana, e o pão sovado da Berberi, em que forno se enfornou? Por que não tem mais Milo para beber com leite, era tão gostoso!!
E a pastelaria Ton Jan, da Marechal. Tinha pastel de carne e de palmito. E também o especial, com ovo e azeitona
Fechou a Churrascaria Bambu, a Tupã. Até a Caça e Pesca fechou. Alguém se lembra do Mitóca??
Não tem mais o açougue Garmatter e nem o Francês.
E o piá de pedra fazendo xixi na frente do Posto Garoto, cresceu?
Acabou-se o Rabo-de-Galo do Bar Americano e não tem mais a Carne de Onça do Buraco do Tatu. Nem o filé completo da Tingui. Nem a dobradinha do Restaurante Rio Branco. Do pastelzinho do Pasquale, nas manhãs dos sábados no Passeio Público, restou a saudade. E o Bar Palácio para as madrugadas, na saída dos bailes do Clube Curitibano ?
O Locanda Suíça desapareceu. Até o Gruta Azul sumiu.
O Jatão, em Santa Felicidade, travou a turbina e caiu. Desmoronou.
Nem a Maria do Cavaquinho, nem a Gilda, nem o Esmaga ou o Osvaldinho perambulam pelas portas da Velha Adega, na Cruz Machado, ou pela frente da Gogó da Ema na Comendador. Por ali onde andava o Saca-Rolha, nas tardes de sol, com o seu guarda chuva sempre fechado.
O Bataclã não desfila mais com o seu terno branco e cravo vermelho na lapela, pela frente do Fontana Di Trevi ou da Guairacá, na João Pessoa que virou Luiz Xavier.

Fechou a Curitiba onde nasci. Só não fechou este meu tempo de guri.
Não tem mais Leminski, nem Kolody. Dele, resta o lamento:
“Esta vida é uma viagem; pena eu estar só de passagem”
Dela, um alento: “Para quem viaja ao encontro do sol é sempre madrugada”
De mim, o consolo: “Saudade! és a ressonância
De uma cantiga sentida,
Que, embalando a nossa infância,
Nos segue por toda a vida”.
Curitiba querida, que bom que eu te vivi!
(Autor Desconhecido).

Como dirigir em Curitiba

Pequeno manual prático para dirigir em Curitiba. Conselhos e maneiras civilizadas para não atrapalhar a vida dos motoristas que, apesar de tudo e de todos, ainda sobrevivem neste caótico trânsito. A presente cartilha tem sido sistematicamente revista e ampliada para sua segurança.

1. No sinaleiro, deixe a maldita da primeira marcha engatada e, quando abrir o sinal, não vacile, arranque! Muito provavelmente o motorista de trás não é guarda de trânsito e não tem nenhuma obrigação de avisar que o sinal está verde.

2. Até o jacaré do Parque Barigui sabe que é preciso manter a devida e defensiva distância do carro da frente. Porém, distância é uma coisa e a lacuna de mais de 100 metros que se abre à frente é coisa daquele mesmo lerdo de sempre.

3. Carro não é uma jamanta. Portanto, não é preciso ocupar a pista da esquerda antes, para virar para a direita depois.

4. Quando um outro motorista sinaliza avisando que precisa entrar na pista em que você está, não seja mau caráter, deixe o outro filho de Deus passar. Não só o mundo dá voltas. O trânsito também e, certamente, isso vai acontecer com você um dia. Quando você se deparar com um carro tentando sair de uma garagem ou estacionamento, pare e faça um gesto de gentileza, ali pode estar nascendo uma bela amizade.

5. Faixas no asfalto das vias rápidas e ruas com mais de uma pista não foram feitas para enfeitar a cidade. Quem não aprendeu o suficiente para saber onde estão as rodas do seu carro, melhor andar de bicicleta, ali as rodas são vistas de onde você está sentado.

6. Quem não sabe fazer baliza, que tenha humildade. É preferível parar num estacionamento e não atravancar a vida de quem tem mais o que fazer. Mas isso não é motivo para xingar a mãe de ninguém.

7. É preciso deixar bem claro: se a sorrateira placa do radar diz 60, é 60 de verdade, não é 20 para inglês ver. Muito menos 80. Vale o que está escrito e a sinalização não é para fazer de conta.

8. O sol nasceu para todos e a vida anda muito corrida, não está fácil. Por isso, quem gosta de passear pela Avenida Batel a 30 km por hora, que pratique esse esporte radical numa madrugada de inverno.

9. Quem avisa, amigo é. Ninguém paga imposto para dar sinal de que vai entrar em alguma rua, caso perceba que tem algum motorista esperando aquela crucial decisão.

10. Para os que deixam o amado ou a amada na frente de casa, cenas de sexo explícito podem causar engarrafamentos. Reservem os amassos de despedida para um local apropriado. Certamente, aquele beijo de cinema não vai ser o derradeiro. Beijinho, beijinho, tchau, tchau!

11. Para os que não tiram o traseiro de uma Harley Davidson, escutem um bom conselho: por que o distinto não bota a orelha naquele escatológico escapamento aberto e acelera e acelera? Freud explica e só quem é surdo não sabe: o barulho da moto é inversamente proporcional à inteligência do motoqueiro.

12. Acidente de trânsito é para ver no jornal do dia seguinte. Ou o desinformado nunca viu umalanterna quebrada? Ninguém precisa ficar olhando com cara de otário para qualquer arranhão que sempre acontece no trânsito, e seguir em frente como se estivesse num cortejo fúnebre.

13. Se o condutor tem talento para comediante, todos reconhecem o artista com a cara colada no volante. Assim não é preciso usar o cinto de segurança. Num acidente, a cara do palhaço e o painel vão virar sucata, com ou sem cinto.

14. Rua não é cabine telefônica. O celular pode ser o mais caro e bonito da praça, mas não é de parar o trânsito. Quando você notar aquela mula no volante atendendo um celular, não se irrite, a conversa vai longe. Encoste o seu carro na primeira vaga e sente-se no meio-fio para chorar de esguicho.

Dante Mendonça (O Estado do Paraná/Tribuna do Paraná)

As dez leis mais bizarras sobre sexo

10. Proibido armar a barraca (Indiana, EUA)
9. Proibido sugerir uma transa (Ohio, EUA)
8. Proibido dar uns amassos no carro (Éboli, Itália)
7. Proibido sair do papai e mamãe (Virginia, EUA)
6. Proibido andar pela dão em casa ((ingapura)
S. Proibido fazer massagem (Toscana, Itália)
4. Proibido Juntar os traplnhos (Mississippi, EUA)
3. Proibido plastificar o bráulio (Bocaiúva do Sul, Brasil)
2. Proibido ser gay (Irã)
1. Proibido estuprar com máscara (De@yiare, EUA)